Comentário semanal

As dificuldades enfrentadas pelo governo grego revelaram que faltam à União Européia os instrumentos para lidar com uma crise financeira nos países que fazem parte da zona do euro. Em função disso, está começando uma discussão que pode levar a uma revisão substancial do sistema financeiro internacional.

A crise em câmera lenta vivida pelo governo grego ainda está longe de seus capítulos finais, mas uma coisa já ficou bastante clara: a disposição revelada pelos líderes da UE de oferecer ajuda à Grécia não basta, por si só, para resolvê-la. A ajuda financeira tem que vir de algum lugar, e precisa estar vinculada a determinadas condicionalidades.

Os gregos precisam mudar a trajetória das suas finanças públicas, pois uma repetição dos déficits dos últimos anos causaria uma expansão insustentável da sua dívida pública. Não existe, no entanto, um mecanismo institucional para implantar (e/ou monitorar) um programa de reforma dentro do quadro da União Européia. Chamar o FMI, que tem enorme experiência com situações semelhantes, seria politicamente indesejável.

A solução seria a criação de um Fundo Monetário Europeu, que poderia emprestar dinheiro para países endividados da zona do euro exigindo em troca medidas para a redução de desequilíbrios orçamentários. A criação deste Fundo certamente tomará tempo, e há quem acredite que seria necessária a negociação de um novo tratado dos países membros da UE – o que exigiria anos. Mas a simples discussão do tema já cria nervosismo na sede do FMI.

No curto prazo, os líderes europeus ainda não conseguiram definir se haverá ajuda financeira concreta para a Grécia, e que forma essa ajuda tomará. É mais um sinal de que os mercados ainda estão longe da normalidade.

No Brasil, o mercado de ações recuperou as perdas do início do ano com o Ibovespa terminando a semana com alta acumulada de +3,52% no mês de março e +0,38% no acumulado do ano de 2010, voltando ao patamar de 68 mil pontos. O real também se valorizou frente a moeda americana no período, rompendo a barreira de R$ 1,80 por dólar. A maior parte dos fundos multimercado se beneficiou desses movimentos.

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