Archive for the ‘Argentina’ Category

A crise como cortina de fumaça

outubro 23, 2008

Planet Money:

“Untrustworthy governments can use the crisis as a smokescreen for destructive, self-serving policies that wouldn’t normally fly.”

Não, o tema não é o PROER enrustido do ministro Mantega. O governo que não merece a confiança dos autores daquele blog é o da Argentina. O risco, político e econômico, é enorme.

Não é a toa que os argentinos guardam seu dinheiro…

outubro 22, 2008

…em Montevidéu e em Miami. Óbviamente não faz sentido manter sua poupança nas instituições financeiras argentinas (Financial Times, Wall St Journal, Clarín, La Nación). Os papéis argentinos viram pó (Infobae, por exemplo).

O próximo passo pode ser um feriado bancário ou um congelamento dos depósitos (Felix Salmon).

A análise de Domingo Cavallo aqui.

Retrocesso

setembro 18, 2008

É claro que em momentos de crise o que conta é a sobrevivência, mas ainda assim é incrível ler que o governo argentino quer voltar a tomar dinheiro emprestado do Banco de la Nación para fechar o orçamento de 2009.

Na Argentina a economia depende da política

agosto 8, 2008

Os mercados de títulos públicos argentinos estão em queda livre, como resultado da curiosa política de financiamento adotada pelos Kirchner. Como o mercado financeiro internacional continua fechado para os títulos argentinos, o tesouro daquele país vende suas emissões para o governo da Venezuela. Mas o governo de Hugo Chávez não fica com o papel: ele o repassa para os bancos, que os vendem no mercado. Acontece que os bancos podem vender em NY e ficar com os dólares, coisa rara na economia bolivariana. O resultado é uma foret pressão de venda, apesar do alto retorno (15% a.a.) oferecido pelos papéis. Muita gente em Buenos Aires se pergunta se essa estratégia ainda faz algum sentido (Clarín).

Una gran confusión

julho 18, 2008

Numa grande confusão é onde o editor do Clarín vê hoje a economia argentina. A incerteza provocada pelo impasse político parece estar afetando as decisões de investimento e consumo no país vizinho, e a meta de crescimento do governo, de 7% em 2008, parece a cada dia mais ameaçada. Dentro desse contexto, ele chama atenção para as taxas de juros ainda altíssimas, conseqüência da falta de confiança. A derrota política sofrida pelo governo no Senado, somada à reestatização da Aerolineas Argentinas, alimentam a desconfiança de que a Argentina não tem jeito.

Há outros riscos. Inflação reprimida e um enorme racha político. Fuga acelerada de capitais. Será que os Kirchner conseguem ainda aprender uma outra maneira de governar?

Os preços das commodities

março 28, 2008

O New York Times traz hoje matéria que ilumina um aspecto obscuro mas importante dos mercados globais de commodities, a relação entre os preços dos contratos futuros e dos mercados a vista. Diz a teoria que esses preços devem convergir na medida em que os contratos se aproximam do vencimento, mas não é isso que tem acontecido com a soja, milho e trigo negociados em Chicago. Os preços nas bolsas de futuros têm ficado consistentemente acima dos preços no mercado a vista. Isso é curioso, pois parece que existe uma oportunidade de arbitragem que não está sendo aproveitada. E pode ser grave, pois indica que os mercados futuros não estão cumprindo o seu papel.

Esse papel é hoje bem mais importante do que era até poucos anos atrás, pois a alta das commodities está criando problemas sérios ao redor do globo. A Economist da semana fala sobre os vários países do mundo que estão taxando suas exportações de alimentos de maneira a garantir o suprimento dos seus mercados domésticos. A revista alerta para os riscos: elas desmotivam os fazendeiros, levam a perda de mercados internacionais, e reforçam ainda mais a tendência de alta desses produtos nos mercados globais.

A Argentina é um exemplo das tensões que esse tipo de política provoca. Depois de semanas de lock-out dos agricultores, a situação do abastecimento em Buenos Aires é grave. Falta tudo, até mesmo a sacrossanta carne das parrillas porteñas. A presidenta Cristina Fernández de Kirchner fez ontem um duro discurso, mas os jornais argentinos viram ali uma abertura para a negociação. Veremos.

Crise de abundância

março 27, 2008

A crise das retenções de exportação na Argentina, que engrossou bastante nos últimos dias, tem alguns aspectos curiosos. Um deles — como observou Miriam Leitão — é a solidariedade da população urbana aos agricultores, que ontem resultou em choques entre “Kirchneristas” e “caceroleros”. Há indicações de que os conflitos podem piorar. Os Kirchneristas estão convocando para um grande ato de apoio à política econômica da presidenta hoje a noite em Buenos Aires.

O economista Daniel Fernández Canedo, que mantém um blog no site do jornal Clarín, explica o que está acontecendo: as retenções sobre exportações de soja são uma fonte importante de receita para o estado argentino, que faz um grande esforço fiscal. A idéia é evitar a emissão de dívida, e juntar divisas para importar energia no inverno. Por outro lado, a retenção serve também para regular os preços dos produtos agrícolas no mercado interno, e seria uma espécie de compensação paga pelos fazendeiros em troca dos subsídios que recebem na taxa de câmbio e no preço dos combustíveis. Em outras palavras, é um rolo. E esse rolo acontece exatamente em um momento de preços recordes para a soja. Coisas da heterodoxia.

Comentário Roberto Teixeira da Costa

março 18, 2008

MI BUENOS AIRES QUERIDO!

Não tem sido fácil analisar a situação atual dos nossos vizinhos argentinos, que nos últimos anos vêm praticando políticas que agridem o pensamento ortodoxo.

Passei dois dias da semana passada em Buenos Aires, num programa intenso de entrevistas e reuniões. Se de um lado a situação do país vizinho é complexa, do outro a idéia que estão diante de uma crise iminente e que vão estourar não parece realista.

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