Archive for the ‘commodities’ Category

Comentário semanal

janeiro 13, 2009

Já estamos na segunda semana de 2009, mas o ano político e econômico só começa de verdade no dia 20 de janeiro com a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Os mercados, no entanto, procuram antecipar o resultado das políticas econômicas do novo presidente, e especialmente do seu plano de estímulo para a economia americana.

A urgência do plano vem da avaliação, da maioria dos economistas, de que os instrumentos de política monetária e fiscal empregados até aqui não foram suficientes para afastar o risco de uma depressão econômica. O relatório de emprego divulgado semana passada — taxa de desemprego de 7,2%, com queda de 524 mil postos de trabalho em dezembro — serviu como alerta.

Barack Obama está propondo um pacote de estímulo da ordem de US$ 800 bilhões em dois anos, incluindo cortes de impostos e aumento de gastos. Parece um número bastante grande, mas o programa tem recebido críticas tanto de economistas, como Paul Krugman, que consideram o valor insuficiente, quanto de economistas como Willem Buiter, que acreditam que problemas estruturais da economia americana limitam a sua capacidade de absorver um pacote que implicará em aumento substancial da dívida pública. Caso Buiter esteja certo, uma forte queda do dólar é um resultado possível.

Esse debate passa agora para um novo patamar, o da discussão no Congresso das propostas de estímulo de Obama. O sistema legislativo americano é desenhado para evitar as decisões apressadas, e provavelmente teremos ainda algumas semanas de discussão acalorada, alimentada pelas estatísticas do PIB e de desemprego.

Aqui no Brasil começamos a sentir os primeiros sinais da crise nos indicadores econômicos. Na semana passada o destaque foi a publicação do dado de Produção industrial de novembro que apontou contração de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O enfraquecimento da atividade brasileira maior do que o previsto continua se refletindo em menores pressões inflacionárias. Dados como este vêm provocando a revisão das estimativas de vários analistas, que já trabalham com a possibilidade de cortes mais expressivos em nossa taxa básica de juros.

E a bolsa brasileira, que começou o ano com uma grande seqüência de altas, teve um dia difícil na segunda-feira, com baixa de -5,24% para o Ibovespa. Queda nos preços do petróleo e das commodities afetam diretamente as maiores empresas da bolsa paulista. Contudo, no ano de 2009, mesmo com a queda de hoje, o Ibovespa apresenta uma alta acumulada de +4,9%. Já as bolsas americanas estão no vermelho em 2009, com o Dow Jones acumulando perdas de -3,4% e o S&P 500 de -3,7%.

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O que aconteceu nos futuros de petróleo ontem?

setembro 23, 2008

O pulo no preço dos contratos futuros de petróleo ontem foi motivo de muita discussão: o contrato de outubro, que expirava ontem, subiu 25 dólares. Os contratos mais longos também subiram, mas não na mesma proporção, indicando que fatores técnicos estiveram em jogo. Jim Hamilton comenta hoje no Econbrowser: o que parece ter acontecido foi um “short squeeze”: os vendidos tinham que liquidar suas posições no mercado, e tiveram dificuldades para achar a outra ponta. De qualquer maneira, os outro vencimentos também subiram, indicando, na opinião de Hamilton, que o mercado de petróleo voltou a atrair investidores que vêem nas commodities uma reserva de valor em tempos inflacionários.

Comentário semanal

setembro 23, 2008

Os mercados financeiros mundiais tiveram na semana que passou um dos períodos mais conturbados dos últimos anos. As ações tomadas ao longo dos últimos dias terão conseqüências profundas, e ainda parcialmente imprevisíveis, para o sistema financeiro e para a economia mundial.

A semana passada começou com a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers. O Lehman era o menor, e visto como o mais vulnerável dos grandes bancos de investimentos independentes que ainda restavam em Wall Street. Sua quebra, no entanto, acelerou a desconfiança de participantes dos mercados financeiros, e precipitou a busca pelas próximas peças do dominó. Os resultados foram a quebra do conglomerado AIG, a fusão de emergência do Merrill Lynch com o Bank of America, e a queda dramática das ações dos dois bancos de investimentos que haviam sobrado, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs. Aliás, hoje não existe mais nenhum banco de investimento independente de grande porte americano, pois esses dois últimos anunciaram no domingo que entraram com processo junto às autoridades para se tornarem bancos comerciais.

Mas a reação dos mercados foi muito além disso. A retração desencadeada pela quebra do Lehman provocou pânico. Para tentar conter esse movimento, o colapso da AIG foi evitado com um empréstimo às pressas de US$ 85 bilhões do Tesouro americano. Mas isso não foi suficiente. Os mercados só mostraram uma reação positiva no final da semana, quando vazou a intenção do secretário do Tesouro Henry Paulson de propor para o Congresso um plano de salvamento de US$ 700 bilhões para limpar os balanços das instituições financeiras americanas.

O plano apresentado por Paulson, no entanto, é apenas uma proposta, e a negociação com o Congresso promete momentos de suspense. Dois aspectos do plano, em particular, estão recebendo críticas de economistas e analistas financeiros. Um deles é o excesso de poder conferido ao secretário do Tesouro, que ganharia imunidade jurídica total. O outro aspecto preocupante é que o plano, como apresentado, permitiria aos bancos passar para o Tesouro os seus títulos podres, mas não faria nada para recapitalizar o sistema. Muitos observadores defendem que o Tesouro participe dessa recapitalização injetando recursos nos bancos por meio de algum instrumento acionário, de maneira a poder participar também dos eventuais ganhos na medida em que a normalidade volte aos mercados, e não somente dos custos.

As últimas notícias dão conta de que um acordo está próximo a ser fechado para o pacote, com o Tesouro americano fazendo concessões em alguns pontos cruciais. Executivo e líderes do legislativo parecem concordar em incluir no pacote a criação de alguma estrutura de supervisão sobre o programa, assim como medidas para ajudar proprietários ameaçados de perder seus imóveis. Mas ainda não parece haver consenso em torno da aquisição pelo Tesouro de participação no capital das instituições com problemas nos seus balanços.

Teremos dias de grande volatilidade pela frente. Hoje, segunda-feira, tivemos queda de -3,8% no índice S&P 500 e de -3,3% no Dow Jones. O dólar e os títulos longos do Tesouro americano caíram, enquanto commodities como o ouro e o petróleo subiram. Essas reações indicam preocupação com os custos do pacote, que, na percepção de investidores, será financiado por inflação.

Contudo, a alta recorde do preço do contrato futuro do petróleo hoje, de +16%, parece ter tido um componente técnico bastante forte. Devido ao vencimento do contrato, parece que houve um “squeeze” no mercado, com muita cobertura de posições vendidas a descoberto. Outro sinal neste sentido foi que apesar da grande alta do petróleo, a maior parte das ações de empresas produtoras apresentaram queda no pregão de hoje. Nos mercados da Ásia, onde começa a movimentação de terça-feira, o preço do petróleo está caindo e o dólar está se fortalecendo frente à maior parte das moedas. Isso dá uma boa idéia de como andam as coisas nos mercados financeiros.

Aqui no Brasil, apesar de nossa boa situação macroeconômica, sentimos os efeitos dessa crise, com o dólar disparando e a bolsa caindo. A Bovespa chegou a apresentar queda diária maior que -7% e alta de mais de +9%. Se olharmos a performance da semana, veremos que o índice da bolsa paulista subiu +1,27% no período. Contudo, a diferença entre a máxima e a mínima chegou a mais de 17%.

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Incentivos e comportamentos

julho 22, 2008

Nouriel Roubini, apocalíptico como sempre, escreve: o modo de vida do americano típico, morador de uma “McMansion” no subúrbio com três SUVs na porta, está definitivamente condenado. Segundo ele, os subsídios à indústria habitacional levaram a um excesso de investimento no setor, investimento que não trouxe consigo nenhum ganho de produtividade. Com o aumento dos preços dos derivados do petróleo, os americanos estão dirigindo menos e os valores de mercado dos seus veículos beberrões e de suas casa com altos custos de aquecimento estão despencando. com isso os comportamentos mudam, e rápido.

E no Brasil? No primeiro semestre de 2008 o consumo de derivados do petróleo cresceu 8% com relação ao mesmo período do ano passado. A nossa produção de petróleo e derivados não cresceu quase nada, e a balança comercial de petróleo e derivados atingiu um déficit de US$ 4,7 bilhões nesse mesmo período. A fonte desses dados é o blog de Adriano Pires.

Comentário semanal

julho 22, 2008

As oscilações dos últimos dias mostram que o preço do petróleo continua sendo uma influência decisiva sobre os mercados financeiros mundiais. Na semana passada tivemos uma forte reversão da tendência de alta dos últimos meses, e seu preço, que chegou próximo dos US$ 150 por barril, terminou a semana abaixo dos US$ 130. Hoje, segunda-feira, o preço do petróleo voltou a subir, prejudicando o desempenho das ações no mercado americano.

A saúde dos bancos americanos é outro tema que continua demonstrando enorme potencial de influência sobre os mercados. O semanário Barron’s sugere que o pior já passou para muitas empresas financeiras, pois os últimos resultados de bancos como o JPMorgan Chase ou o Wells Fargo indicam que essas instituições têm condições de absorver perdas nas suas carteiras sem precisar de novas grandes chamadas de capital. O entusiasmo do Barron’s, no entanto, tem claros limites. O colunista Andrew Bary vê oportunidades em ações de bancos regionais, hoje muito baratas em comparação com o seu valor patrimonial, mas recomenda manter distância de papéis de instituições expostas ao mercado de hipotecas, como Fannie Mae e Freddie Mac.

O destino das duas instituições refinanciadoras de hipotecas ainda é assunto de muita controvérsia, apesar do pacote de medidas anunciado pelo Tesouro e pelo Fed no fim de semana de 13 de julho. Críticos como o economista Nouriel Roubini sugerem que teria sido melhor nacionalizar as duas instituições, já que a solução adotada – linhas de crédito do Fed e, eventualmente, do Tesouro – não garante sua viabilidade como peças importantes do sistema americano de crédito imobiliário e cria risco moral.

E o mercado brasileiro continua firmemente amarrado às oscilações das commodities, devido ao peso de empresas como Petrobras e Vale em nossa bolsa de valores, freqüentemente na contramão do mercado americano. Hoje, segunda-feira, o índice Bovespa fechou em alta de 1,31%, enquanto o índice Dow Jones caiu -0,25%.

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Una gran confusión

julho 18, 2008

Numa grande confusão é onde o editor do Clarín vê hoje a economia argentina. A incerteza provocada pelo impasse político parece estar afetando as decisões de investimento e consumo no país vizinho, e a meta de crescimento do governo, de 7% em 2008, parece a cada dia mais ameaçada. Dentro desse contexto, ele chama atenção para as taxas de juros ainda altíssimas, conseqüência da falta de confiança. A derrota política sofrida pelo governo no Senado, somada à reestatização da Aerolineas Argentinas, alimentam a desconfiança de que a Argentina não tem jeito.

Há outros riscos. Inflação reprimida e um enorme racha político. Fuga acelerada de capitais. Será que os Kirchner conseguem ainda aprender uma outra maneira de governar?

Comentário Semanal

julho 8, 2008

O início de julho tem se mostrado muito ruim para os mercados, com o Ibovespa apresentando queda acumulada de -9,12% no mês, até o dia de hoje. O mercado acionário brasileiro foi bastante volátil nesta segunda-feira, chegando a apresentar alta de mais de 2%, queda maior que -1% e fechando o pregão com queda -0,47%, aos 59.088 pontos. O cenário dominante é o externo e a bolsa brasileira seguiu os índices americanos em suas mudanças de direção durante o dia.

O economista Nouriel Roubini, que nos últimos meses tem acertado mais do que tem errado nas suas previsões de catástrofe financeira, volta à carga hoje no seu blog. O alvo, dessa vez, é o arranjo internacional que vale hoje para as taxas de câmbio, conhecido por Bretton Woods 2. Esse arranjo, que não chega a ser um sistema, funciona mais ou menos da seguinte maneira: países emergentes como a China geram superávits no seu comércio com os Estados Unidos, gerando reservas que são acumuladas por seus bancos centrais. Essas reservas são aplicadas em títulos do governo americano, financiando assim o seu déficit orçamentário.

Esse arranjo permite que os americanos continuem financiando os seus dois déficits (fiscal e comercial), o que favorece também os exportadores de bens de consumo para o mercado americano, já que com o dinheiro emprestado por eles os americanos compram adoidado. Todos ficam satisfeitos, apesar dos baixos retornos oferecidos pelos títulos do tesouro americano, e apesar do acúmulo de uma enorme dívida americana.

Roubini, no entanto, acredita que a inflação causada pela política monetária frouxa dos Estados Unidos vai botar tudo a perder, repetindo os acontecimentos de 1971-73, quando o acordo de Bretton Woods inicial foi enterrado. Os países que participam do arranjo atual precisam intervir nos seus mercados de câmbio para impedir a apreciação de suas moedas. O custo disso é a emissão de papel, gerando inflação. Roubini acredita que esses países vão preferir deixar a inflação subir a valorizar suas moedas, e essa inflação será exportada para os Estados Unidos. Os anos de ouro de baixa inflação e alto crescimento são coisa do passado, segundo ele.

Um cenário de alta inflação não é favorável para as instituições financeiras, que continuam enfrentando sérias dificuldades. As perdas no mercado de crédito não parecem ter chegado ao fim, e a provável necessidade de mais capital para o setor não anima investidores. Hoje, segunda-feira, foi a vez das securitizadoras Fannie Mae e Freddie Mac, que talvez precisem de mais alguns bilhões de dólares em capital. As quedas em suas ações foram de -16% e -18%, respectivamente.

Mas nem tudo está perdido, pois é em momentos difíceis como esses que surgem as boas oportunidades. Tudo depende do preço que se está pagando.

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Comentário semanal

julho 1, 2008

O trimestre que se encerrou hoje, segunda-feira, foi um daqueles que os investidores preferem esquecer. O índice Dow Jones caiu -7,4%, no terceiro trimestre sucessivo de desempenho negativo. O índice S&P 500, por sua vez, caiu -3,2% e o Nasdaq subiu +0,6%. No ano, o desempenho acumulado é bastante ruim, com o Dow caindo -14,4%, o Nasdaq -13,6% e o S&P500, -12,8%.

Esse desempenho negativo é especialmente decepcionante porque o trimestre começou com esperanças de que o pior da crise financeira que se iniciou no subprime já teria passado, especialmente depois da quebra do banco de investimentos Bear Stearns. No entanto, a esperada recuperação no mercado de crédito não veio, apesar da atuação agressiva do Fed, e a alta do preço do petróleo é mais um complicador.

Temos assim uma situação que combina as piores características de um estouro de bolha e de um choque recessivo/inflacionário derivado da alta dos custos de energia.

O economista Nouriel Roubini, famoso por suas previsões pessimistas que têm se confirmado nos últimos meses, acredita que o impacto combinado pode provocar uma recessão “severa”, com o potencial de desestabilizar o arranjo monetário internacional caracterizado por taxas de câmbio administradas ou atreladas ao dólar.

Outro indicador de que a crise não passou é a preocupação renovada com a saúde financeira dos bancos. As ações do Lehman Brothers voltaram a cair hoje aos níveis mais baixos desde 2000, e o custo dos empréstimos no mercado interbancário voltou a subir, sugerindo que o medo voltou. Resta saber se o acesso dos bancos a novas fontes de capital continuará fácil como tem sido nos últimos meses.

O cenário brasileiro não parece tão negativo. O índice Bovespa fechou o segundo trimestre com uma valorização de 6,64%. No acumulado do ano, no entanto, a valorização do índice foi de 1,77%, bem abaixo do CDI e, também, da inflação no período, mostrando o quanto o cenário se deteriorou recentemente.

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Até os Sauditas discutem o declínio do petróleo

junho 27, 2008

O declínio da produção, que fique bem claro. O debate sobre “peak oil” — a teoria, ou hipótese, de que a produção global de petróleo está próxima do pico de volume, ou que talvez já esteja em declínio — divide até os especialistas em geologia e produção ligados à Aramco, a empresa saudita de petróleo. De acordo com a excelente matéria do Wall Street Journal de sexta-feira, eles também têm dúvidas quanto à sua capacidade de elevar a produção para 15 milhões de barris diários, objetivo revelado ao mundo semana passada.

Difícil equilíbrio na política monetária

junho 25, 2008

É o tema da coluna de Martin Wolf no Financial Times de hoje. Olhando para a economia global como uma
coisa só, ele conclui que os emergentes precisam elevar seus juros e remover subsídios dos combustíveis, permitindo que os consumidores ajustem seus hábitos à nova realidade. Apesar da crise de crédito, Wolf acredita que o Fed já foi além do necessário e em breve terá que elevar seus juros também.
No médio e longo prazo, o essencial é o desenvolvimento de novas fontes de energia. Precisamos nos livrar da dependência dos combustíveis fósseis, ele escreve.