Archive for the ‘Convidados’ Category

Comentário semanal

agosto 4, 2009

Os bons resultados dos bancos britânicos HSBC e Barclays, divulgados nesta segunda-feira, ajudaram a animar os mercados, junto com as esperanças de melhor demanda para matérias-primas. O mercado brasileiro segue a tendência positiva. Ao fechar na segunda-feira ao nível de 55.997 pontos, o índice Bovespa volta ao patamar atingido pela última vez em agosto de 2008, antes do colapso da Lehman Brothers.

A crise financeira global levou muita gente a questionar o valor do banco central independente, e o Financial Times defende, em editorial, essa instituição que tem sido tão bombardeada não só por comentaristas mas também por políticos que parecem estar se aproveitando de um momento de vulnerabilidade para tentar conquistar de volta a influência que tiveram no passado distante.

Essa discussão não ocorre só no Brasil, onde comentaristas alinhados com uma certa visão intervencionista insistem em dizer que o BCB deveria jogar fora o sistema de metas de inflação para se concentrar apenas na tarefa de salvar a economia brasileira da catástrofe, como se não fosse possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Segundo o colunista John Plender, do FT, sinais de impaciência vêm do Japão, da Inglaterra e dos Estados Unidos. A chanceler alemã Angela Merkel também criticou publicamente o Banco Central Europeu, algo sem precedentes na história da República Federal da Alemanha, onde a independência da autoridade monetária é dogma absoluto.

Nos Estados Unidos existe uma antiga tradição de crítica populista ao Federal Reserve Bank, visto por muitos como uma instituição que serve aos interesses dos banqueiros e não do povo. Essa tradição voltou a ganhar força recentemente com as medidas que o Fed se viu obrigado a implementar para evitar o colapso do sistema financeiro americano, estendendo várias linhas de crédito diferentes aos bancos americanos.

O pior da crise parece já ter passado, mas ainda são várias as questões com relação ao desempenho dos BCs. Martin Wolf sugere em comentário recente que o sistema financeiro que está emergindo é ainda mais carregado de risco moral do que era aquele de antes da crise, e que a recuperação da economia mundial será lenta e difícil, sem respostas duradouras para problemas como o funcionamento do sistema monetário mundial, ainda baseado no dólar, ou dos fluxos internacionais de recursos, ou das vulnerabilidades das economias emergentes.

O princípio da independência dos bancos centrais, no entanto, parece mantido. Como escreveu Robert Peston, editor de economia e negócios da BBC, o desencanto com as soluções de mercado não parece trazer consigo uma crença forte nos poderes de intervenção dos governos. Assim, é grande a chance de que teremos mais do mesmo, por falta de idéias melhores.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. No mês passado, tanto os fundos de ações como os fundos multimercado com posições em bolsa apresentaram boa rentabilidade. Contribuiu também para a performance positiva dos fundos multimercado a valorização do real frente ao dólar, já que muitos desses fundos tinham posições vendidas na moeda americana.

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Comentário Roberto Teixeira da Costa

maio 19, 2008

Produtividade no Brasil: Chave do Desenvolvimento

Participei durante esta semana de um interessante debate com o ex-Presidente do Banco Central Gustavo Loyola sobre o fascinante tema da PRODUTIVIDADE, sob os auspícios da Alexander Proudfoot.
Muito embora não seja justo afirmar que no passado os empresários brasileiros estivessem despreocupados com a discussão do assunto, nos dias de hoje a busca de maior produtividade, em qualquer setor de atividade, é essencial. No passado, empresas especializadas na consultoria de produtividade estiveram basicamente focadas no corte de cabeças. Hoje, essa busca de eficiência já não está centrada nessa abordagem. É evidente que em muitas situações é inevitável uma readequação de força de trabalho, mas ela deixou de ser o único instrumento usado pelas empresas.
Uma análise mais profunda vai identificar alguns gargalos, quer no sistema de suprimentos, distribuição, qualidade dos produtos ou serviços, análises de mercados globais e assim por diante. Hoje o empresário industrial tem que olhar esse amplo universo de um mundo globalizado para situar uma empresa competitivamente. Quais as minhas vantagens comparativas? Tenho escala para competir? Devo estar presente no exterior?
Esse tipo de análise ganhou relevância adicional a partir do momento em que nossa moeda passou a valorizar-se em relação ao dólar norte-americano. Se de um lado a modernização do seu parque industrial torna-se mais barata com produtos importados mais acessíveis, do outro a concorrência se tornou para alguns produtos bem mais complicada, pela invasão de produtos finais bem mais baratos.
Existem fatores que a empresa pode acessar para buscar maior eficiência produtiva. Certamente, do lado positivo, a maior disponibilidade de recursos é dado relevante. Também pelo aspecto do mercado de capitais, que vem mostrando nos últimos anos estar preparado para suprir as empresas com recursos de longo prazo.
É verdade também, que os empresários não podem fazer milagres. Loyola lembrou que a portaria da fábrica é uma boa divisória. Do lado de dentro, temos modificações e aprimoramentos sensíveis. Da porta para fora, o terreno ainda precisa ser bem aplainado. O famoso Custo Brasil é sempre lembrado, uma carga fiscal pesada, a informalidade da concorrência, estrutura trabalhista superada, custo de capital competitivamente elevado, e vai por ai afora. O insatisfatório diálogo entre a universidade e a indústria também foi lembrado.
A produtividade no Brasil tem certamente melhorado. Duas semanas após ser promovido a grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), o Brasil recebeu uma boa notícia sobre o nível de competitividade de sua economia: o país galgou seis posições no ranking de 2008 da escola de negócios suíça IMD. O Brasil pulou do 49º para o 43º lugar, numa lista com 55 países, depois de dois anos seguidos de queda no Anuário de Competitividade Mundial da IMD. O salto foi impulsionado principalmente pela maior eficiência de negócios e pelo bom desempenho da economia. Na comparação com os outros países do grupo dos BRIC, o Brasil aparece atrás da China (17ª) e da Índia (29ª), mas à frente da Rússia (47ª). No entanto, a economia brasileira foi a única entre as quatro a ganhar postos neste ano – a chinesa e a indiana perderam duas posições cada uma e a russa, quatro. A liderança é dos EUA, seguidos de perto por Cingapura.
O problema é que o crescimento no Brasil tem sido inferior ao de grande parte da Ásia e da Europa do leste ex-socialista, que começou a diminuir seu atraso. Foi salientado nos debates que seguiram as apresentações que no nosso caso específico existem setores modernos que convivem com outros ainda muito atrasados. Certamente o grande desafio para aquelas empresas que não atingiram seu estágio de modernidade competitiva é o de lutar com todos os mecanismos ao seu alcance, para superar essa defasagem. Essa é uma das preocupações que estão presentes na Política Industrial, anunciada recentemente com muita pompa e circunstância pelo Presidente da República. Essa é certamente uma das chaves do nosso crescimento. E o papel do Governo é estar atento para que nossas empresas não entrem nessa competição em desvantagem.

Comentário Roberto Teixeira da Costa

abril 18, 2008

P E R S P E C T I V A

Abril/2008

Viajando, viajando, viajando…

Três viagens consecutivas ao exterior em pouco mais de duas semanas realmente não é algo que recomendo.
Porém, as circunstâncias assim me obrigaram. Vou aqui destacar os pontos de maior relevância, começando por Lima, numa reunião da Diretoria Internacional do CEAL. (more…)

Comentário Roberto Teixeira da Costa

março 25, 2008

Gangorra ou Montanha Russa?

O prestigioso jornal The New York Times publicou em sua edição de 19 de março, provocativa matéria com o título “Se você não consegue entender a crise de crédito, junte-se ao clube.”
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Conversa com o gestor

março 24, 2008

Conversa com Francisco H. Gros, gestor do fundo Upside.

BINV: Como você vê a posição do Brasil nessa crise?

FHG: Eu estou otimista com o Brasil, partindo da premissa que continuaremos num mercado de alta de commodities num prazo mais longo, apesar da forte queda das commodities agrícolas e metálicas no dia de ontem.

BINV: E quais as bases desse cenário?

FHG: Continuo acreditando que estamos num grande ciclo de alta das commodities, cenário do qual o Brasil se beneficiaria. No lado real da economia, os grandes produtores de commodities como a China, Canadá, Chile e África do Sul estão enfrentando problemas, de logística, climáticos e de mão de obra, cada um na sua magnitude, afetando a oferta dos seus produtos. No lado da demanda, China e Índia são grandes consumidores globais e provavelmente continuarão nesse status quo.

Alem disso, do lado financeiro, de fluxo de capitais, fundos dedicados de commodities têm recebido grande entrada de capitais.

Apesar desse cenário, os mercados são muito dinâmicos e as reavaliações da situação são necessárias constantemente. E vamos em frente.

Comentário Roberto Teixeira da Costa

março 18, 2008

MI BUENOS AIRES QUERIDO!

Não tem sido fácil analisar a situação atual dos nossos vizinhos argentinos, que nos últimos anos vêm praticando políticas que agridem o pensamento ortodoxo.

Passei dois dias da semana passada em Buenos Aires, num programa intenso de entrevistas e reuniões. Se de um lado a situação do país vizinho é complexa, do outro a idéia que estão diante de uma crise iminente e que vão estourar não parece realista.

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