Archive for the ‘mercados internacionais’ Category

Comentário semanal

fevereiro 23, 2010

A notícia, divulgada semana passada, de uma elevação da taxa de redesconto cobrada pelo Fed causou alguma agitação entre investidores, mas ainda não foi o começo da escalada dos juros americanos.

O comunicado emitido pelo Fed deixou bem claro que a elevação da taxa de redesconto de 0,5% para 0,75% a.a. faz parte de um conjunto de medidas com o objetivo de normalizar as relações entre o banco central e as instituições financeiras americanas. Diante do congelamento dos mercados de crédito em 2008, o Fed ampliou dramaticamente o volume de liquidez fornecida aos bancos, através do TAF e dos outros instrumentos criados para isso. Já que os bancos não queriam emprestar dinheiro uns aos outros, o Fed passou a fazer esse papel.

O mercado interbancário já está muito mais próximo do normal, e o Fed está reduzindo o volume de recursos que empresta aos bancos, pois esses já voltaram a dispor de outras fontes de liquidez. O comunicado do Fed deixa claro que na avaliação de seus economistas o cenário econômico americano ainda é muito fraco e não há razões para começar um ciclo de aperto de política monetária.

Esse assunto vem sendo acompanhado de perto aqui no Brasil, assim como em outros mercados beneficiados pela grande expansão de liquidez de 2009. Teme-se que a elevação dos juros americanos provoque um retorno dessa liquidez para os Estados Unidos, causando desvalorização do real, o que poderia ter impacto negativo nos índices de inflação e, consequentemente, forçaria o Banco Central do Brasil a elevar sua taxa de juros. O Fed, no entanto, continua sinalizando que essa virada de política monetária ainda é não para agora.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Tivemos nas últimas semanas uma recuperação da bolsa brasileira, com o Ibovespa voltando à casa dos 67 mil pontos. Nesse mesmo período, vimos também uma recuperação do real frente ao dólar. Esses movimentos afetaram de forma positiva a maior parte dos fundos multimercado e de ações.

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dezembro 8, 2009

O dólar continua dando o tom nos mercados globais. Desde a quebra da Lehman, a política de juros baixos / injeção de liquidez do Fed tem levado à depreciação do dólar frente a moedas como o real. Contudo, não há sinais de que o dólar esteja perdendo o seu status de principal moeda de reserva do sistema financeiro internacional. A depreciação da moeda tem correlação com a venda de ativos em dólar, na medida em que investidores procuram retornos melhores em investimentos denominados em outras moedas.

Essa dinâmica tem sido muito favorável para os investidores. Tem sido muito rentável tomar dólares emprestados, trocá-los por outras moedas (como o real) e investir fora de casa. Enquanto não houver perspectiva de mudança na política monetária americana os retornos tendem a ser muito atraentes. A questão, no entanto, é saber o que acontecerá com os preços dos ativos quando o Fed começar a elevar suas taxas de juros.

Na sexta-feira tivemos um sinal de como essa relação pode se inverter. A divulgação, nos Estados Unidos, de dados de emprego muito superiores ao esperado provocou altas simultâneas no dólar e nas ações, na medida em que investidores passaram a acreditar que a recuperação da economia permitiria uma alta dos juros americanos mais cedo do que se imaginava.

Essa perspectiva parece ter sido afastada pelas palavras de Ben Bernanke, presidente do Fed. Ele disse hoje, segunda-feira, que as taxas de juros devem permanecer baixas por um bom tempo. O panorama, portanto, permanece o mesmo dos últimos meses, com um pouquinho mais de nervosismo.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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dezembro 1, 2009

Dubai é o grande assunto dos últimos dias nos mercados mundiais, explicando muito da volatilidade recente. Na quarta-feira da semana passada o governo daquele emirado anunciou que a holding estatal Dubai World cessaria o serviço de sua dívida de dezenas de bilhões de dólares, surpreendendo aqueles que davam a crise financeira global como superada.

Segundo o Financial Times, por trás da aparência de centro financeiro moderno e de cidade-estado modelo de Dubai o que existe é um estado autocrático que se recusa a encarar a realidade e uma empresa familiar cheia de segredos, que ignora as regras e as exigências dos mercados financeiros globais. Assim, o verdadeiro estado das finanças das empresas de Dubai era um mistério até mesmo para seus administradores, mais preocupados com as intrigas da corte do sheik Mohammed do que com estratégias de sobrevivência em um mercado muito mais difícil do que aquele de dois ou três anos atrás.

Ainda é impossível dizer com clareza como a crise de Dubai vai se desenrolar. O banco central dos Emirados Árabes Unidos, federação da qual Dubai faz parte, indicou hoje, segunda-feira, que tomará as medidas necessárias para garantir a liquidez das instituições financeiras locais. Mas ainda há muitas dúvidas sobre o que acontecerá com a dívida da Dubai World e suas companhias subsidiárias. As últimas notícias indicam que a renegociação afetará cerca de US$ 26 bilhões, e não os US$ 59 bilhões que se imaginava inicialmente.

A grande questão, no entanto, é saber se Dubai é um indicador de que coisas piores virão por aí. Essa parece ser a opinião de Gillian Tett, por exemplo. A jornalista do Financial Times vê ali um sinal de que o excesso de alavancagem continua presente no sistema e pode gerar surpresas altamente desagradáveis, seja no Oriente Médio, seja nos países desenvolvidos. Outros, como o economista Paul Krugman, parecem mais inclinados a ver em Dubai um caso especial de bolha imobiliária, pouco aplicável ao resto do mundo.

Seja como for, a Dubai World não é um caso de “default” soberano, mas traz o assunto de volta à agenda. A volatilidade a as manchetes dos últimos dias indicam que a crise ainda não acabou.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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novembro 24, 2009

Os mercados de ações tiveram mais uma segunda-feira de alta, especialmente nos Estados Unidos. Os índices Dow Jones e S&P 500 subiram +1,29% e +1,36% respectivamente, enquanto o índice Bovespa teve alta de +0,45%. As declarações, durante o fim-de-semana, de um dos presidentes regionais do Fed alimentaram as expectativas de que a autoridade monetária americana deverá continuar intervindo no mercado de títulos lastreados em hipotecas além do primeiro trimestre de 2010. Ou seja, os investidores parecem mais animados com a perspectiva de juros muito baixos e liquidez muito folgada ainda por um bom período de tempo.

Os riscos dessa política são claros. O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, falou sobre o assunto nesta segunda-feira. Ele não vê perigo de perda de confiança no dólar, mas admite que a enorme massa de capital que está fluindo para as economias emergentes pode provocar bolhas de ativos. Especialmente porque muitos dos governos desses países procurarão a todo custo evitar aquela que seria a medida clássica nessas circunstâncias: permitir a valorização de suas moedas.

Fala-se muito sobre perda de confiança no dólar, apesar de não haver nenhum sinal concreto de que isso esteja acontecendo. Com efeito, economistas como Paul Krugman e Brad DeLong têm chamado atenção para o absurdo, na visão deles, cuidado com que o governo Obama tem se dedicado à questão do déficit fiscal. As taxas de juros exigidas por investidores para comprar títulos de longo prazo do Tesouro americano seguem muito baixas, indicando que não faltam investidores dispostos a financiá-lo.

No entanto, parece haver um consenso hoje em Washington de que a trajetória do déficit fiscal é insustentável e que mais cedo ou mais tarde não haverá mais ninguém disposto a comprar títulos do Tesouro americano se nada for feito para controlá-lo. Assim, uma percepção errônea do quadro econômico por parte de Washington pode estar colocando o governo americano em uma sinuca que não tinha nada de inevitável, impossibilitado a prática de novas medidas de estímulo fiscal caso essas venham a ser necessárias.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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novembro 10, 2009

Os mercados continuaram a sua trajetória ascendente nesta segunda-feira. O índice Dow Jones fechou em alta de +2,03%, atingindo o mais alto fechamento de 2009. O S&P 500 subiu +2,22%. O Ibovespa seguiu a tendência, com alta de +2,71%. O dólar continua em queda, não só frente ao real mas também frente as moedas da maior parte das principais economias do mundo.

Grande parte dessa euforia parece se dever aos acontecimentos do fim de semana. Mais especificamente, à declaração dos ministros da fazenda e presidentes dos bancos centrais do G-20. No comunicado divulgado após o seu encontro eles afirmaram que é necessário manter as medidas de estímulo até que a recuperação econômica mundial se firme. Em outras palavras, a política de juros muito próximos de zero deve persistir ainda por um bom tempo.

Do ponto de vista dos bancos centrais das economias maduras, não há alternativa à política de juros baixos. Como escreve Frederic Mishkin no Financial Times, a fraqueza da recuperação da economia, as baixas taxas de inflação atuais e a ausência de perspectivas de inflação para a frente só permitem uma linha de conduta.

Mishkin não nega o risco de uma bolha de ativos, mas argumenta que uma bolha que não está vinculada a um “boom” de crédito não é tão perigosa assim. Seja como for, os mercados continuam subindo, em descompasso com uma economia real ainda fraca, e os investidores seguem ligados em cada vírgula dos comunicados do comitê de política monetária do Fed, procurando os sinais do fim do dinheiro fácil. A relação entre liquidez, preços de ativos e dólar fraco deve continuar no centro das atenções ainda por um bom tempo.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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novembro 4, 2009

Tivemos no final de outubro muito mais volatilidade nos mercados do que vinha sendo o padrão nos últimos meses. Na verdade, a baixa volatilidade dos meses anteriores é que, até certo ponto, foi surpreendente, considerando as incertezas que ainda cercam as perspectivas para a economia mundial e para os mercados financeiros globais. A quebra da financeira CIT (que é bom ressaltar, não tem nada a ver com o Citigroup), apesar de não ter o impacto de um Lehman Brothers, é um sinal de que as coisas continuam longe da normalidade.

O que nos traz de volta ao economista Nouriel Roubini, que foi um dos poucos a acertar o prognóstico da última crise. Em um artigo publicado recentemente no Financial Times ele analisa os movimentos recentes nos mercados financeiros, observando que quase todas as classes de ativos arriscados tiveram altas significativas de março para cá. Ações, energia e commodities subiram, e caíram os “spreads” dos títulos de dívida privada. A maior valorização, no entanto, aconteceu nos investimentos mais arriscados: moedas, ações e títulos de dívida de mercados emergentes.

Para Roubini o veredicto é claro. A recuperação dos preços dos ativos ultrapassa em muito a recuperação (anêmica, segundo ele) da economia real. Isso só quer dizer uma coisa: a alta dos preços de ativos de risco tem sido impulsionada não só pela onda de liquidez produzida pelas políticas de juros baixíssimos do Fed, mas também pelo dólar fraco. Ficou fácil, e muito rentável, tomar dólares emprestados e aplicá-los em ativos de alto retorno.

Se isso não bastasse, há ainda o efeito das compras pelo Fed de instrumentos de dívida de longo prazo. Segundo Roubini, essas compras reduziram a volatilidade desses papéis, reduzindo a percepção de risco dos investidores. O resultado, segundo o economista, é uma enorme bolha de ativos que acabará estourando mais cedo ou mais tarde, com os efeitos de praxe.

Há outras vozes e outras opiniões sobre aquilo que está acontecendo nos mercados. Como a demanda por crédito ainda não voltou, é razoável que uma boa parte do dinheiro injetado pelas autoridades monetárias nos seus sistemas financeiros acabe em investimentos mais ou menos especulativos. Mas a margem de manobra dos bancos centrais é hoje minúscula, pois a recuperação das economias reais ainda está longe de garantida e o risco de bolhas não é desprezível.

Ou seja, vale a pena manter os olhos bem abertos. Pois enquanto não tivermos nenhum sinal mais forte de subida dos juros nos Estados Unidos e demais economias centrais, muito provavelmente os ativos de risco, incluindo os de países emergentes, têm grandes chances de continuar se valorizando.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Apesar de ter apresentado uma boa performance durante quase todo o período, o Ibovespa fechou o mês com rentabilidade próxima de zero, devido ao movimento dos últimos dias. Os fundos multimercado, na média, apesar de também terem sofrido na última semana do mês, ainda apresentaram uma boa rentabilidade no período.

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outubro 27, 2009

Em uma segunda-feira de queda nos mercados globais – o índice Dow Jones fechou em baixa de -1,05% e o S&P 500 de -1,17% – o índice Bovespa fechou com pequena alta de +0,04%. Mais um dia, portanto, de performance superior dos ativos brasileiros.

Apesar da reação negativa à imposição pelo governo de um IOF sobre a entrada de capital, persiste o otimismo com relação às perspectivas para a economia brasileira e para as empresas daqui. Especialistas locais consultados pela Agência Estado acreditam que a medida pode ter algum impacto sobre o mercado de IPOs, ou seja, de ofertas de ações de empresas, que pode migrar para Nova York. Mas o consenso é que o efeito sobre a Bovespa será mínimo, pois o cenário permanece positivo, os juros baixos, e as alternativas continuam sendo pouco atrativas.

Os estrangeiros parecem ainda mais otimistas. O Bloomberg cita relatório do banco de investimentos Goldman Sachs argumentando que no momento é muito mais arriscado para investidores estar fora do Brasil do que ter investimentos aqui. Os analistas da empresa vêem enormes perspectivas de rentabilidade para as empresas brasileiras, justificando expectativa de ganho de mais de 30% no índice Bovespa até meados de 2010. É difícil para qualquer gestor de recursos abrir mão de perspectivas de ganho desta magnitude em um mercado com poucas alternativas como o atual.

Contudo, parece haver uma diferença entre o otimismo contido dos profissionais brasileiros e a exuberância dos investidores estrangeiros, como nota o Financial Timesbin. Apesar da copa do mundo de 2014, dos jogos olímpicos de 2016 e do petróleo do pré-sal, parece evidente que nem todos os problemas do Brasil já foram resolvidos, e que boa parte da valorização dos mercados daqui se deve a taxas de juros muito baixas nas principais economias do mundo. Ou seja, enquanto as taxas de juros ao redor do mundo estiverem baixas como agora, o mercado brasileiro deverá continuar com boas perspectivas.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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outubro 20, 2009

Segundo notícia publicada no site da Bloomberg, o real é o destaque entre as principais moedas do mundo em 2009, com valorização de cerca de 35% frente ao dólar até o fechamento de segunda-feira. O Índice Bovespa, por sua vez, já subiu quase 80% no acumulado do ano.

E continua crescendo o coro dos comentaristas que vêem fortes sinais de bolha na dinâmica recente dos mercados globais. Hoje é a vez de Wolfgang Munchau, no Financial Times. Segundo ele, duas maneiras de medir o valor do mercado de ações – CAPE, uma relação preço/lucro ajustada para o ciclo econômico, e o Q de James Tobin – indicam que em meados de setembro o mercado americano estava 35 a 40% acima do preço justo. E de lá para cá o descompasso só aumentou.

E não é só o mercado de ações. Até o mercado imobiliário, epicentro da última bolha e da última crise, está subindo de novo e mostrando sinais de sobreaquecimento. A razão disso tudo é uma só: taxas de juros nominais baixíssimas, conseqüência das políticas monetárias dos bancos centrais que procuram manter vivos sistemas bancários que ainda não saíram da UTI.

Os riscos de inflação no momento permanecem muito baixos, mas Munchau teme uma reversão de expectativas a partir de 2010. Nesse caso as autoridades monetárias terão enormes dificuldades em evitar os riscos de deflação por um lado e de inflação pelo outro.

Neste cenário não surpreende a notícia publicada no final de semana, subseqüentemente negada e finalmente confirmada de que o governo brasileiro estaria estudando medidas para conter a entrada de dólares no país. A recente enxurrada de dólares e a valorização do real preocupam as autoridades brasileiras temerosas de seu impacto na competitividade de nossos produtos e do efeito em nossas contas externas.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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outubro 14, 2009

A Bolsa de São Paulo fechou em alta de +0,90% nesta terça-feira, mantendo a tendência forte dos últimos meses. Os comentários dos últimos dias indicam que investidores ao redor do globo foram contagiados pelo clima de otimismo alimentado pela seleção do Rio de Janeiro como cidade sede das olimpíadas de 2016, pela colocação global de ações do Banco Santander Brasil e pela propaganda do governo brasileiro em torno das perspectivas de produção de petróleo na camada pré-sal.

O blog Zero Hedge, por exemplo, recentemente publicou um comentário muito positivo sobre o efeito dos jogos olímpicos sobre as economias de nações emergentes, argumentando que o investimento em infraestrutura será muito positivo para produtores de commodities e para setores como engenharia, construção e turismo. No Business Insider, por sua vez, lê-se que o banco de investimentos Goldman Sachs recomenda fortemente aos seus clientes a aquisição de ações de empresas com exposição aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), já que é nesses países que se concentram as melhores perspectivas de crescimento para os próximos anos.

Há, no entanto, vozes que alertam para a fragilidade desse momento de quase euforia. O economista Willem Buiter, que “bloga” no site do Financial Times, repassa as relações causais: tudo começa nos bancos centrais dos países ricos que continuam injetando quantidades cavalares de liquidez nos seus mercados financeiros.

Diante da escalada dos preços dos ativos provocada pelo mar de liquidez nos mercados globais, poucos parecem se preocupar com o crescimento de novos desequilíbrios nas relações entre as economias mais importantes do mundo, escreve Stephen Roach. Essa falta de memória é geralmente o caminho mais curto para uma nova crise.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Assim como em setembro, os fundos de ações e os multimercado com posições em bolsa são os destaques do início de outubro.

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outubro 6, 2009

Os principais mercados de ações do mundo continuam fortes, apesar das dúvidas com relação à vitalidade e sustentabilidade da retomada da economia mundial. A revista Economist da semana traz seção especial sobre esse tema, e conclui que o cenário daqui para a frente será terrível caso os governos das economias centrais não façam mais esforço para estimular o crescimento econômico.

A economia mundial não retornou ainda a um padrão normal de crescimento. Muito da reversão recente de uma tendência francamente negativa para uma moderadamente positiva se deve a fatores temporários como a reposição de estoques e os programas de estímulo fiscal e monetário dos governos. No entanto, persiste o problema fundamental do excesso de endividamento nas economias dos Estados Unidos e de outros países após o estouro de suas respectivas bolhas. O que sugere que os gastos dos consumidores não voltarão a crescer tão rápido, e que os bancos precisarão de mais capital.

A Economist pede ação coordenada dos governos dos Estados Unidos, China, Japão e Alemanha para rebalancear consumo, poupança e investimento. No médio e longo prazo, o objetivo é criar condições para que os verdadeiros “drivers” do crescimento – inovação e comércio internacional – voltem a funcionar.

No curto prazo, a questão é se a economia americana volta a entrar em recessão em 2010 ou 2011. Segundo o economista Menzie Chinn, do blog Econbrowser, o desempenho deve permanecer fraco, mas o pacote de estímulo do presidente Obama continuará fazendo algum efeito, já que muitas das suas provisões demoraram a entrar em prática.

Aqui no Brasil a tendência de curto prazo pouco mudou com relação à semana passada. O relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central indica que na expectativa media do mercado a taxa de inflação deve ficar abaixo da meta tanto em 2009 como em 2010, e que a economia deve voltar a crescer em torno de 4,5% a.a. no ano que vem – apesar de uma taxa Selic mais alta. A preocupação, como sempre, vem da parte fiscal. Em ano eleitoral e final de governo há uma tendência muito forte para anistias fiscais, efetivação de servidores, legalização de bingos e outras medidas iníquas, como escreve Everardo Maciel no Estado de S. Paulo de hoje, segunda-feira. Convém ficar de olho.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os fundos de ações e multimercado tiveram, em sua maioria, ótima performance no mês de setembro.